“Ele não me era estranho!”

Toda cidade guarda seus segredos. Fatos que nem mesmo o mais audacioso dos jornalistas fica sabendo. Mas, ainda bem que todo jornalista tem a sua fonte e alguns desses casos acabam chegando até ele. Não é regra, mas pessoas menos suspeitas são as fontes que podem esconder grandes histórias.

Pois bem! A história à seguir é um fato que foi relatado pela Dona Cida (Aparecida Onofra de Godoy), grande cozinheira de Américo Brasiliense que sua vida, por si só, já dava um belo roteiro literário. De alma grande, tinha a simpatia de todos que a conheciam. Ela nos deixou há alguns anos.

Sempre trabalhando, às vezes como voluntária, em festas, casamentos e eventos sociais suas histórias iam além do universo imaginário. E, foi num destes eventos, em meados do ano 2000, que se tornou a pauta do que vamos relatar aqui. O fato em si não é algo anormal, mas as circunstâncias são, no mínimo, curiosas. Uma pena que ficamos sabendo do ocorrido alguns dias depois, mas fica aqui o registro.

Entre abraços & desconfiança

Numa manhã de sábado, era julho de 2000, Dona Cida fora preparar um almoço numa fazenda nas proximidades de Américo Brasiliense, conhecida pelos seus moradores como “Fazenda do Zé Maria”. Os seus proprietários viviam quase que isolados socialmente da cidade. Na verdade, bem poucas pessoas os conheciam. Eis o motivo de nossa pauta quase ficar no anonimato.

Durante o almoço, ora na cozinha ora servindo, um senhor muito simpático, sorridente brincava com a Dona Cida todas as vezes que a encontrava. Chegou até abraçá-la e beijá-la. Empolgada e simpática ela sempre tinha suas tiradas. “Ele era muito bonito, mas ele não me era estranho. Tinha a sensação de que o conhecia de algum lugar”, dizia ela, que era minha tia, ao me contar o ocorrido.

Dona Cida continuou o seu trabalho, agora mais alegre por toda a recepção familiar que recebera. No entanto, numa de suas idas e vindas pela sala principal da casa, ela avistou uma revista que estava sobre a mesa e viu estampada em sua capa, numa foto meio psicodélica, o tal homem simpático e bonito.

Mais tarde veio saber que o homem da foto na capa de revista era Luiz Estevão (de Oliveira Neto), amigo da família de José Maria Teixeira Ferraz com qual também tinha negócios.

Relembrando…

Em meados da Década de 90, os filhos de José Maria, José Maria (filho) e José Eduardo Corrêa Teixeira Ferraz se envolveram no esquema de desvio de verbas – mais de R$ 320 milhões – das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, juntamente com o próprio Luiz Estevão, o juiz Nicolau dos Santos Neto – o Lalau e o Fábio Monteiro de Barros Filho. O caso teve grande repercussão nacional.

Personagens envolvidos num grande esquema de corrupção, na época, quase que passaram despercebidos em Américo Brasiliense no auge das investigações.

E depois dessa, Dona Cida desconfiou dos afagos do tal homem simpático, sorridente… e bonito.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s