Afinal, quem vive?

“Uma experiência e tanto viver com medo, não é? Ser um escravo é assim. Eu vi coisas que vocês nunca acreditariam. Naves de ataques em chamas perto da borda de Orion. Eu vi a luz do farol cintilar no escuro, na Comporta de Tannhauser. Todos esses momentos se perderão no tempo como lágrimas na chuva. Hora de morrer” (Roy Batty)

Esta fala reproduz umas das cenas mais emblemáticas do cinema. O conflito entre o caçador de andróides Deckard (Harrison Ford) e o replicante Roy Batty (Hutger Hauer), na parte final do filme Blade Runner – o Caçador de Androides. O diretor Ridley Scott traz para as telas um tema que até então era tabu: a alteração genética no homem.

Com cenário futurista e surreal, relembrando os filmes noir dos Anos 50 e Metrópolis do diretor Fritz Lang, o longa-metragem tem como ponto de partida uma Los Angeles de 2019, onde pessoas vivem sob chuva ácida. O roteiro intrigante contrapõe dois pontos: o mundo ficcional e a relação humana.

De fato, mais de 30 anos se passaram desde o seu lançamento e o filme ainda impressiona, não só pelos efeitos especiais e pela trilha sonora de Vangelis, mas também pelas constantes releituras devido ao seu roteiro complexo. Isto fez com que o filme tivesse dois finais: um hollywoodiano e o outro autoral – divulgado pelo seu diretor anos após o seu lançamento.

O filme

Num futuro remoto, a humanidade inicia a colonização espacial e para isso são criados seres geneticamente alterados – replicantes – utilizados em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes nas novas colônias. Eles são fisicamente idênticos ao ser humano, porém mais fortes e ágeis.

Devido aos problemas de instabilidade emocional e reduzida empatia, os replicantes são sujeitos a um desenvolvimento agressivo impulsionados pelo seu período de vida limitado a quatro anos. Estão aí os pilares do roteiro de um dos longas-metragens mais emblemáticos que marcou a história do cinema ficcional.

O filme relata como um ex-blade runner – Deckard – volta à ativa para caçar um grupo de replicantes que se rebelou e veio para a Terra à procura do seu criador. O motivo? Prolongar o seu período de vida e escapar da morte que se aproxima.

Ao visitar Tyrell, o criador de replicantes, Deckard conhece sua jovem assistente Rachael, que também é uma replicante. Rachael tem todas as memórias de uma sobrinha de Tyrell, e apoiada em suas memórias ela não consegue acreditar que é uma replicante.

A cena a qual ela é submetida a um teste e se convence desse fato é uma das mais comoventes do filme, e levanta questões filosóficas importantes. O policial Deckard se sente atraído por Rachael – frágil e sensível – e acaba se envolvendo com a jovem.

No desfecho do filme, os replicantes parecem adquirir características humanas ao se aproximarem da morte, enquanto que o seu algoz obcecado adquire, cada vez mais, características desumanas. No fim, as questões que afligem os replicantes acabam se tornando as mesmas que nos afligem. E, como disse Roy Batty, personagem de Hutger Hauer: “uma experiência e tanto viver com medo, não é?”

FICHA TÉCNICA:

Blade Runner – O Caçador de Androides (EUA, 1982. 118min). Direção: Ridley Scott. Produção: Michael Deeley. Roteiro: Hampton Francher, David Webb Peoples e Philip K. Dick (livro). Elenco: Harrison Ford, Hutger Hauer, Sean Young, Edward James Olmos, M. Emmet Walsh e Daryl Hannah. Trilha Sonora: Vangelis.

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