La dolce vita de Dulce

De Casa Branca a Hollywood, e por fim, o anonimato

 Dulce Damasceno de Brito foi uma mulher que viveu entre o estrelato hollywoodiano no auge de sua carreira e o anonimato. Ela conheceu todos os artistas do cinema nos Anos 50 e 60, quando foi correspondente dos Diários Associados e da Revista Cruzeiro, numa época nostálgica. Foram 16 anos neste mundo glamoroso.

Nos últimos anos, sua vida entrou no ostracismo. Vítima da doença de Parkinson, sua vida se tornara muito difícil. Não tinha força de folhear um livro ou uma revista na clínica de repouso em que vivia em São Paulo. No dia 9 de novembro de 2008, Dulce sentiu-se mal, foi transferida para um hospital, mas nem chegou ser atendida. Morreu aos 81 anos, no anonimato.

Sua vida foi de superação e de determinação. Natural de Casa Branca (que ironia), interior de São Paulo, ela poderia carregar contigo o estigma da latinidade, colonizada. Um rótulo discriminatório que predominava aos estrangeiros em Hollywood.

A jovem que foi jornalista aos 15 anos e aos 17 anos escandalizou a família ao fazer as malas e embarcar em busca de seus sonhos, de glamour. Por todo o deslumbramento que o mundo do cinema provoca, ela sempre teve consciência de ser uma estrangeira em Hollywood e escrevia suas entrevistas com a perspectiva de sua origem.

Com Ives Montand e Marilyn Monroe

A vida de Dulce Damasceno teve uma importância fundamental no jornalismo de cinema e de entretenimento. A primeira brasileira a se tornar correspondente de Hollywood, quando as produções norte-americanas nesta época causavam fascínio maior do que os dias atuais, suas observações forneceram e fornecem chaves importantes para se compreender a grandeza e a decadência de Hollywood.

Amiga de Carmem Miranda, as entrevistas de Dulce Damasceno circulavam nas revistas Cinelândia e Cruzeiro. Nomes como Marlon Brando, Kim Novak, Gregory Peck, Cesar Romero, Ann Blyth, Jeffrey Hunter  Pier Angeli, Linda Darnel, Marilyn Monroe, Clark Gable, Elizabeth Taylor, Rock Hudson, Doris Day, Cary Grant, Marlene Dietrich,  James Stewart, Charlton Heston, Audrey Hepburn, John Wayne,  Kathryn Grayson, Jane Wyman, Barbara Stanwyck, Gregory Peck (seu grande amor), Walt Disney,  Grace Kelly e os diretores como entre outros Robert Aldrich, Cecil B. de Mille, Michael Curtiz , Orson Welles e Billy Wilder.

Com Carmem Miranda

Entre algumas particularidades de suas entrevistas há de Marlon Brando que se recusava a receber jornalistas, mas deu entrevistas para Dulce em três ocasiões e permitiu que ela frequentasse sua casa. Era fascinada principalmente por Gregory Peck. Namorou, ou pelo menos flertou, com ele e com Tony Curtis.

Em 2006, Dulce lançou pela Imprensa Oficial do Estado de SP  o livro “Lembranças de Hollywood”, com 140 evocações em ordem alfabética (por sobrenome), ou seja, reproduz as impressões de Dulce com 140 celebridades. Mas antes, em vários capítulos, traz a origem de Dulce, sua luta para conseguir o emprego nos Diários, sua abordagem sobre festas e escândalos em Hollywood (como o assassinato que envolveu Lana Turner) e sobre os gays do  cinema americano. Desde 1993 escrevia na revista SET onde mantinha a coluna Hollywood Boulevard. Seu último artigo foi sobre Paul Newman, na edição de novembro.

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