Alan Turing e Vargas: os contrapontos de uma história

Após a Segunda Guerra Mundial o mundo viveu um período de grandes mudanças e rupturas econômicas e políticas. Se acima do Equador havia a Guerra Fria, abaixo, políticas populistas tomavam conta dos países sul-americanos.

Eis, então, os acontecimentos que nos remetem a dois personagens que foram relevantes para o universo histórico a qual pertenciam: Alan Turing e Getúlio Vargas.  O que eles têm em comum? O suicídio com desfechos antagônicos. Vamos aos fatos:

Getúlio Vargas e Alan Turing: o suicídio como desfecho (Arquivo internet: foto colagem)

Alan Turing, matemático britânico, criou a teoria da computação. Durante a Segunda Guerra, quando foi recrutado pelo exército de seu país, ele conseguiu decifrar mensagens secretas transmitidas por telégrafos entre as tropas de Adolf Hitler. A partir daí, a guerra tomou novos rumos e o império nazista começou à ruir. Inventor de testes até hoje utilizados em pesquisas de inteligência artificial, ele suicidou-se na prisão, em 7 de junho de 1954.

Do outro lado, ao sul do Atlântico, temos Getúlio Vargas, um político populista. Em 1954, Vargas era fortemente pressionado pela União Democrática Nacional (UDN). A crise política tomara conta do País e um golpe de Estado estava prestes a se perpetuar. Vargas se suicida, o povo saiu às ruas, o golpe não se concretiza e no desfecho da história o presidente do Brasil se torna um herói. O controverso golpe de Estado veio ocorrer somente 10 anos depois.

Dois suicídios em 1954. O homem que venceu Hitler não era nenhum chefe de estado, muito menos um comandante de guerra. Turing era o avesso de toda a ideologia nazista da raça pura e perfeita. Anos depois de ter colocado em ruína o Terceiro Reich ele se suicida numa prisão ao comer uma maçã jorrada em cianeto. Motivo da prisão: era homossexual. Já Getúlio Vargas, político populista, tornou-se um “herói” no Brasil e ficou conhecido como o “pai dos pobres”.

Enquanto nossas primaveras vão ficando mais curtas, a história, com seus pontos paradoxais, vai sendo contada e recontada. E, de fato, cedo ou tarde seus personagens desconhecidos deixam o anonimato. Já, para os populistas, outras “verdades” vem à tona.

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