O caos é moralmente legítimo

As entidades que “legalmente” representam os caminhoneiros – entre elas, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) – assinaram o acordo com o Governo Federal para o fim da greve dos caminhoneiros iniciada na segunda-feira (21). O ato aconteceu ontem (24), em Brasília.

Foto: Jornal Ipanema

No entanto, essas entidades se esqueceram de consultar os caminhoneiros, a parte interessada, as reais reivindicações e acordaram uma negociação de fachada. Tanto é que não tiveram aval nenhum da categoria.

De fato, o acordo caracterizou mais um ato político do que meramente atender a pauta de reivindicações do movimento. Isso demonstra a falta de comprometimento e de sintonia das confederações para com as categorias as quais elas representam.

Essa manifestação dos caminheiros, uma das maiores de categoria, traz um marco reflexivo para todo o brasileiro: ela se estende a toda população pelo completo descontentamento com as altas taxas tributárias impostas pelo Governo.

Junte a isto os péssimos serviços básicos que o Estado oferece ao cidadão – saúde, educação, infraestrutura e, principalmente, segurança pública – e o enraizamento da corrupção em todas as esferas de governo e, como consequência, na própria sociedade. O resultado aí está: a população chegou ao seu limite de tolerância.

A situação política e econômica do Brasil vive um período de extremos. A questão no momento não é de polarizá-la o contexto, mas sim de averiguar que a manifestação dos caminhoneiros tem legitimidade moral e ética em virtude de todos os descasos e desmandos de uma classe política que surrupiou e surrupia o País.

Chegamos no limite e o Governo Federal terá que descer do pedestal e negociar diretamente com os caminhoneiros. Ao menos, até o momento, este é o quadro que se definha.

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