O caos é moralmente legítimo

As entidades que “legalmente” representam os caminhoneiros – entre elas, a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) – assinaram o acordo com o Governo Federal para o fim da greve dos caminhoneiros iniciada na segunda-feira (21). O ato aconteceu ontem (24), em Brasília.

Foto: Jornal Ipanema

No entanto, essas entidades se esqueceram de consultar os caminhoneiros, a parte interessada, as reais reivindicações e acordaram uma negociação de fachada. Tanto é que não tiveram aval nenhum da categoria.

De fato, o acordo caracterizou mais um ato político do que meramente atender a pauta de reivindicações do movimento. Isso demonstra a falta de comprometimento e de sintonia das confederações para com as categorias as quais elas representam.

Essa manifestação dos caminheiros, uma das maiores de categoria, traz um marco reflexivo para todo o brasileiro: ela se estende a toda população pelo completo descontentamento com as altas taxas tributárias impostas pelo Governo.

Junte a isto os péssimos serviços básicos que o Estado oferece ao cidadão – saúde, educação, infraestrutura e, principalmente, segurança pública – e o enraizamento da corrupção em todas as esferas de governo e, como consequência, na própria sociedade. O resultado aí está: a população chegou ao seu limite de tolerância.

A situação política e econômica do Brasil vive um período de extremos. A questão no momento não é de polarizá-la o contexto, mas sim de averiguar que a manifestação dos caminhoneiros tem legitimidade moral e ética em virtude de todos os descasos e desmandos de uma classe política que surrupiou e surrupia o País.

Chegamos no limite e o Governo Federal terá que descer do pedestal e negociar diretamente com os caminhoneiros. Ao menos, até o momento, este é o quadro que se definha.

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Alan Turing e Vargas: os contrapontos de uma história

Após a Segunda Guerra Mundial o mundo viveu um período de grandes mudanças e rupturas econômicas e políticas. Se acima do Equador havia a Guerra Fria, abaixo, políticas populistas tomavam conta dos países sul-americanos.

Eis, então, os acontecimentos que nos remetem a dois personagens que foram relevantes para o universo histórico a qual pertenciam: Alan Turing e Getúlio Vargas.  O que eles têm em comum? O suicídio com desfechos antagônicos. Vamos aos fatos:

Getúlio Vargas e Alan Turing: o suicídio como desfecho (Arquivo internet: foto colagem)

Alan Turing, matemático britânico, criou a teoria da computação. Durante a Segunda Guerra, quando foi recrutado pelo exército de seu país, ele conseguiu decifrar mensagens secretas transmitidas por telégrafos entre as tropas de Adolf Hitler. A partir daí, a guerra tomou novos rumos e o império nazista começou à ruir. Inventor de testes até hoje utilizados em pesquisas de inteligência artificial, ele suicidou-se na prisão, em 7 de junho de 1954.

Do outro lado, ao sul do Atlântico, temos Getúlio Vargas, um político populista. Em 1954, Vargas era fortemente pressionado pela União Democrática Nacional (UDN). A crise política tomara conta do País e um golpe de Estado estava prestes a se perpetuar. Vargas se suicida, o povo saiu às ruas, o golpe não se concretiza e no desfecho da história o presidente do Brasil se torna um herói. O controverso golpe de Estado veio ocorrer somente 10 anos depois.

Dois suicídios em 1954. O homem que venceu Hitler não era nenhum chefe de estado, muito menos um comandante de guerra. Turing era o avesso de toda a ideologia nazista da raça pura e perfeita. Anos depois de ter colocado em ruína o Terceiro Reich ele se suicida numa prisão ao comer uma maçã jorrada em cianeto. Motivo da prisão: era homossexual. Já Getúlio Vargas, político populista, tornou-se um “herói” no Brasil e ficou conhecido como o “pai dos pobres”.

Enquanto nossas primaveras vão ficando mais curtas, a história, com seus pontos paradoxais, vai sendo contada e recontada. E, de fato, cedo ou tarde seus personagens desconhecidos deixam o anonimato. Já, para os populistas, outras “verdades” vem à tona.

O que esconde a esquerda brasileira?

Vimos logo no primeiro dia de 2018, notícias de Nicolás Maduro, presidente venezuelano, em ataque à imprensa de seu país. Segundo o site Gazeta do Povo, Maduro não renovou às concessões de rádio e televisão, estrangula jornais na compra do papel (que é controlado pelo Estado) e agride jornalistas.

A situação é bastante crítica, de acordo com o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa venezuelano. A entidade informa que, em 2017, 69 veículos de imprensa no país foram fechados: 46 emissoras de rádio, três emissoras de televisão e 20 jornais.

Foto: Carlos Robayo/AFP

O número é mais alarmante: além das 498 agressões a profissionais de imprensa e 66 prisões, houve ainda 125 mortes no ano. As autorias desses crimes devem-se à Guarda Nacional Bolivariana e grupos paramilitares (entre elas, as milícias chavistas).

Em virtude desse caos político e de repressão, as relações diplomáticas entre Venezuela e Brasil azedaram.  A Assembleia Nacional Constituinte venezuelana declarou persona non grata o embaixador brasileiro em Caracas, Ruy Pereira. Com a mesma moeda, o Brasil aplicou a lei da reciprocidade e declarou persona non grata o encarregado de negócios venezuelano no Brasil, Gerardo Delgado Maldonado.

E a democracia?

Não se estabelece uma ditadura para defender uma revolução, defendemos uma revolução para defendermos uma ditadura”. (George Orwell, em “1984”)

Assim como os livros de história omitem, uma pergunta fica no ar: há democracia no regime socialista bolivariano que a esquerda brasileira tanto defende? Não é de se espantar que tal pergunta fique sem resposta uma vez que a palavra democracia nunca fez parte do manual de guerrilha de Carlos Marighella e sua trupe.

Nota-se então, que a luta pela democracia e pela liberdade de expressão, que a esquerda diz defender no país, é o maior engodo da história política brasileira. Há meio-século, os revolucionários do país contam tal mentira ostentada pela imprensa, por intelectuais e artistas simpatizantes à causa. É mais fantasioso que um conto de fadas.

Há muitas coisas a serem desvendadas num futuro sombrio: a esquerda brasileira monopoliza o pensamento nos meios culturais e universitários do Brasil; na contramão, há a internet com suas mídias sociais. Por isso, é um “equívoco” a regulamentação da internet, pois ela é uma questão prioritária àqueles que defendem a liberdade de manifestação, de pensamento.

“Ninguém vai a Brasília a passeio”

Esta manchete é uma frase de Delfim Netto, ex-ministro da Economia no governo João Figueiredo, que retrata de forma sutil as peripécias dos bastidores que movimentam Brasília – uma tentação para qualquer jornalista, para qualquer professor de história. Um mundo imprevisível que se contrapõe ao premeditado. Em algumas situações, os seus próprios personagens desconhecem as regras.

Fonte: Google

Em seu livro de bolso, “As armadilhas do poder: bastidores da imprensa”, o jornalista Gilberto Dimenstein cita que, em 1983, estava em Brasília para cobrir a sucessão do presidente João (Batista de Oliveira) Figueiredo.

Segundo ele, aproveitou a ocasião e foi assistir à uma monótona sessão do Senado. Lá, exaurido com aquele ambiente, fez um ligeiro comentário com um veterano jornalista presente, sentado ao seu lado. “Como esses senadores têm cara de bobos”. Sorrindo, complacente, o velho jornalista lhe respondeu: “(…) é melhor que saiba de uma coisa: o mais bobo deles conserta um relógio no escuro. E com luvas de boxe”.

De acordo com Dimenstein, duas frases resumiam a tática política do então experiente Ulisses Guimarães, ditas na época pelo  próprio Ulisses: “Nem tão próximo que não se possa brigar e nem tão longe que não se possa reatar”. Já numa esfera mais pessoal, o  velho cacife pemedebista foi mais além ainda: “Não leve suas brigas para casa. Depois sua mulher não vai entender quando tiver de fazer uma cerimônia elogiando seu inimigo”.

Este tom sarcástico, porém maquiavélico, demonstra que ninguém, por mais experiente que seja, consiga ficar imune as “mazelas” do poder, da política. Temos exemplos explícitos nos dois últimos anos no Brasil. E no mundo há centenas de obras literárias que relatam a queda e a ascensão de grandes líderes.

Todavia, nesta teia conspiratória o maestro da sinfonia, o inimigo “oculto”, está mais próximo do que se imagina. Ele sempre aparece com um sorriso amigo no rosto. E como um final à Sherlock Holmes, a culpa sempre recai ora no mordomo, ora no motorista, ora na secretária e ou até mesmo na cafetina… “Elementar meu caro Watson: Brasília também é assim”.

Para os mais simples dos mortais, quando se está tête-à-tête com as arquiteturas brasilienses – a Esplanada dos Ministérios, o Palácio do Planalto, a Praça dos Três Poderes e até o Lago de Paranoá – nota-se que o poder tem sua aura corruptora.

Planejada por Oscar Niemeyer, a Capital federal mescla status de ascensão e bancarrota. Aqueles poucos que nela sobrevivem sabem costurar com artimanha as manobras políticas.

Mas, caso bancarrota bata na porta daquele velho e novo político, a melhor coisa a fazer é ele ir até a Praça dos Artistas, no centro da cidade, saborear um bolinho de bacalhau. Quem sabe ali lhe inspire novas oportunidades e velhas conspirações…

Corujas e pirilampos bailam no país dos generais

Imaginemos uma época de pura expressão artística e a criatividade à flor da pele. A música brasileira se eletrificava com a Tropicália & Jovem Guarda, a Bossa Nova com seus acordes ímpares, o cinema brasileiro transitava do Cinema Novo à Boca do Lixo.

Assim eram os inícios dos Anos 70. O Brasil respirava e produzia arte em pleno regime militar. Mas, quando tudo parecia o óbvio eis que surge um furacão na música brasileira que transgrediu todas as convenções, transcendeu no palco com suas apresentações ousadas, extravagantes e poéticas.

Composto por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gérson Conrad, o grupo Secos & Molhados chegou e virou a maior expressão musical no Brasil no início dos Anos 70. Músicas como “O Vira”, “Sangue Latino”, “Assim Assado”, “Rosa de Hiroshima” que misturam danças e canções do folclore português, críticas à ditadura militar traziam em suas letras nomes como Cassiano Ricardo, Vinícius de Moraes, Augusto Boal, Oswald de Andrade, Fernando Pessoa e João Apolinário.

Suas canções traziam pitadas da MPB, rimas poéticas dedilhadas ao estilo do glam rock (nascido no final dos Anos 60 e popularizado nos Anos 70 na Inglaterra, grupos se apresentavam com trajes e performances com muitos adereços: cílios postiços, purpurinas, saltos altos, batons e lantejoulas, paetês e trajes elétricos de seus cantores) ao rock progressivo. Assim, o grupo se tornou referência de uma geração.

Para citar apenas uma passagem desse alvoroço que se tornou Secos & Molhados, depois de várias aparições em programas de televisão em cadeia nacional, em fevereiro de 1974, Secos & Molhados fez um concerto no Maracanãzinho e foi um tremendo sucesso. Além das 30 mil pessoas presentes ao ginásio, outras 90 mil ficaram do lado de fora.

Neste mesmo ano, depois de uma turnê internacional, o grupo lança o segundo disco, com destaque para “Flores Astrais”. Após o lançamento e por desentendimentos financeiros, a formação clássica do grupo se desfaz com a saída de Ney Matogrosso.

Enquanto João Ricardo continuou com grupo e produziu outros projetos musicais, Gérson Conrad e Ney Matogrosso seguiram carreiras solo.

A capa do primeiro disco foi eleita pela Folha de S.Paulo como a melhor de todos os tempos de discos brasileiros. E, até hoje, Secos & Molhados é referência na música brasileira. A revista Rolling Stones Brasil colocou o grupo em quinto lugar, numa lista de 100 maiores discos da música brasileira.

Um fenômeno musical que deu seu recado e ditou normas e convenções num Brasil “careta” que ainda discutia o uso da guitarra elétrica. Secos & Molhados chegou como um disco voador, jurou mentiras, “apavorou” o cenário musical brasileiro e se apagou precocemente, assim como pirilampos que bailam no meio da noite sob olhares de corujas. Eis mais um momento que o tempo eternizou…

Qual liberdade a turma do Leblon-Projac defende?

Nas últimas semanas duas exposições viraram polêmicas nas redes sociais: a do Santander em Porto Alegre e a do MAM em São Paulo. Ambas tinham um ponto em comum: a criança. A primeira, sobre a polêmica interação de crianças em questões abordando igualdade de gênero, além de apresentar obras de artes inapropriadas para a idade; e, a segunda, onde uma criança interage com um adulto nu, tocando-o.

A polêmica e a repercussão foram tantas que houve a interrupção das duas exposições. Diante dos fatos, artistas e simpatizantes vieram a público se manifestar contrários à onda, segundo eles, conservadora e “fascista”, de alguns segmentos da sociedade brasileira que censuraram e atentaram à liberdade artística, numa clara analogia ao período militar que governou o País por 21 anos (1964 a 1985).

Mas, se a questão é ser intolerante, várias pontos necessitam ser levantados para então conseguirmos entender os fatos. Quando defendem a liberdade de manifestação de expressão – se remetendo ao período militar – artistas, jornalistas, estudantes etc & tal caem em contradição ou são todos alienados.

Nos Anos 60 e 70, em defesa de uma causa esdrúxula defendiam uma agenda esquerdista, comunista que era o avesso de tudo que pensavam: ditadora, totalitária e que cometera a maior carnificina na história da humanidade. Somente um pequeno comparativo: Che Guevara matou em Cuba três vezes mais que a ditadura brasileira e é considerado um herói para a esquerda. Entre os mortos, crianças, civis, gays…

Deduz-se então que esses ativistas políticos ou eram alienados, ou eram oportunistas e/ou havia muita maconha nos caracóis de seus cabelos? Eu fico com as três opções!

Voltando ao assunto em questão, hipocrisia é o adjetivo que melhor se enquadra a eles. Sim! Não se viu até um momento nenhuma manifestação contra essa esculhambação que tomou conta dos cofres públicos dos estados brasileiros. Nenhum um desses artistas que aparecem no vídeo “342Arte” se manifestaram com os desmandos da saúde, da educação, da segurança pública e da corrupção.

Agora, saem do casulo protegido pela redoma de vidro da “vênus platinada” para falar de censura como que sua consciência política não advém dos egos de sua fama. Se posicionam como representantes da população e acusam quem discorda daquilo que são. Ledo engano! Como dizia Millôr Fernandes, “eu desconfio de toda idealista que lucra com o seu ideal”.

Há alguns casos de censura e de intolerância, relembrados agora, dos contraditórios esquerdistas que se omitiram por que não condiziam com a sua agenda ideológica: o cantor Wilson Simonal, mais recentemente a blogueira cubana Yoani Sánchez, o apresentador Danilo Gentilli, o cineasta Josias Teófilo do filme “Jardim das Aflições”, inúmeras peças teatrais etc.

Parafraseando a internauta Massima Debby: “A maioria da classe artística brasileira é a fina casta da esquerda caviar, aquela que adora Cuba lá de Paris…”. Salve a Dona Regina!

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